SIMPLES ROTINA

 

Na vida tudo é banal,

O ontem, o hoje, é tudo igual.

O dia vai, a noite vem,

Ontem como hoje, assim também.

 

No dia a dia é tudo vulgar,

Aqui ou ali é o mesmo lugar.

A onda vai e a onda vem,

A vida como o mar assim também.

 

É tudo tão corriqueiro,

O tempo passa ligeiro,

Quando se vê, já termina.

 

É tudo tão trivial,

Do início ao dia final

Não passa de simples rotina…

SEU JEITO DE SER

 

Eu quero seu jeito ousado,

Frente a frente e não de lado.

Esse jeito bem atrevido

Que para outros não tem sentido.

 

Eu quero seu jeito petulante

Que lhe faz tão importante.

Esse jeito atiradiço,

Até desmaio só por isso.

 

Eu quero seu jeito arrojado,

De nunca ficar calado

Tendo algo pra dizer.

 

Esse seu jeito atirado,

Foi que me fez apaixonado

Querendo contigo viver.

SOU FELIZ!

 

O pensamento me diz

Que sou uma pessoa feliz.

Falo o que sempre quis,

Acredito no que a boca diz.

 

Tenho a sorte do meu lado,

Sou um ser afortunado.

Meu viver é bem controlado,

Pago à vista, não compro fiado.

 

Alguém diz que sou ditoso,

Talvez nem um pouco formoso,

Mas isso não me faz mal.

 

O motivo da felicidade,

Digo com toda verdade,

Vem da paz espiritual!

SERÁ QUE ELE É?

 

Dizem ser um cara polido

E nisso até faz sentido.

Para outros é bem delicado,

Está sempre bem trajado.

 

No tratamento agrada de vez,

Ele é sempre muito cortês.

Tem um jeito amoroso,

Chega a ser obsequioso.

 

Às vezes extremoso,

Mostra-se escandaloso,

Deixando cair a ficha.

 

Esse rapaz de jeito urbano,

A mim não causa engano,

Pois é uma tremenda bicha!

SONETO A VOCÊ

 

 

Todos os dias ao te ver,

Sinto meu sangue ferver.

Meu coração dispara a pulsar,

Será que isso é amar?

 

 

Um segundo e estou fora do ar

Desejando apenas te beijar.

Peço-te somente um beijo

Para matar o meu desejo.

 

 

Não sei se tu queres,

A mais linda das mulheres

Que eu fique à sua mercê.

 

 

Falta-me tanto o seu amor,

Que falta faz o teu calor

Eu só quero ter você!

 

 

                                 ÍGOR LIRA

SOLITÁRIO

 

 

Vivo assim tão sozinho,

Sem ninguém, sem um carinho.

Talvez o único no lugar

Que não tem a quem amar.

 

 

Vivo assim tão independente,

Parecendo um indigente.

Sem ninguém pra conversar,

A solidão vem me abraçar.

 

 

Vivo assim tão desprezado,

Sem ter alguém ao lado,

No mais triste abandono.

 

 

Vivo assim de rua em rua,

Sentindo a saudade sua,

Tal qual um cão sem dono.

SEM CARINHO

 

 

Sem a luz do seu olhar

Sigo na solidão a vagar.

Fui expulso do paraíso

Quando perdi o seu sorriso.

 

 

Hoje o meu único desejo,

Reside na lembrança do seu beijo.

Sinto o perfume dos seus pelos,

Na brisa que assanha seus cabelos.

 

 

Relembro tudo estando a sós,

Ouço constantemente a sua voz,

Presença eterna em meu caminho.

 

 

Ando ao léu, sem saber pra onde,

E ninguém sabe onde se esconde,

Onde encontro o seu carinho.

SONETO AO MEU PAI

 

 

Pai, hoje o senhor é o meu tema,

É para o senhor este poema.

Homenageio este seu dia,

É meu motivo de alegria.

 

Pai, hoje me veio à lembrança,

Dos bons tempos de criança.

Sabe, eu era tão feliz ao seu lado,

Que queria voltar ao passado.

 

Pai, eu não queria crescer,

Eu tinha medo de perder

O carinho que me dava.

 

Pai, meu olhar se enche de brilho,

Tenho orgulho por ser seu filho

E por tudo que significava.

SINAL DE AMOR

 

 

A natureza em pausa se cala,

Em silêncio permaneço na sala.

Essa quietude que me veio,

Foi só por você, eu creio.

 

O pensamento difuso e incerto,

Traz a sua lembrança bem perto.

Com ela, os momentos breves,

Desfilando quais plumas leves.

 

Na sala, o frio, corpo coberto,

O coração no peito aberto

Segue seu bater cismando.

 

Meu ser inteiro é só calma,

Uma saudade assume a alma

E descubro que estou te amando!

SUA FOTO

 

Aquela foto que lhe roubei,

Perpetua as lembranças que passei.

Ela é a marca de cada dia

Que fiquei contigo minha Maria!

 

Fitando-a a pouco até chorei,

Seu olhar sincero, agora eu sei.

Por ela tudo eu faria,

Por nada no mundo a trocaria.

 

Ela me acompanha a noite inteira,

É como a inesquecível companheira

Que me leva a tal delírio.

 

E, ao fitá-la, tenho a impressão,

Que apesar de toda solidão,

Ainda sou feliz nesse martírio.