PROJETO DE LEITURA

 

JUSTIFICATIVA                                                                             08

CAPÍTULO I

1 – O PAPEL SOCIAL DA LEITURA                                                  09

        1.1 – Leitura: um processo histórico e cultural                       10

        1.2 – Expansão livre para libertar                                          12

 

CAPÍTULO II

2 – A LEITURA NO CONTEXTO EDUCACIONAL                               17

        2.1 – A importância da leitura no contexto educacional         18

        2.2 – Tecnologia e leitura                                                     20

 

CAPÍTULO III

3 – A ESCOLA E A FORMAÇÃO DE LEITORES                                  23

        3.1 – A escola e a leitura                                                      24

        3.2 – O emprego do livro na escola                                        25

        3.3 – A escola e a literatura                                                  27

        3.4 – A importância da biblioteca na escola                           29

 

CAPÍTULO IV

4 – A PRÁTICA PEDAGÓGICA EM FACE DA AQUISIÇÃO DA

LEITURA                                                                                   31

        4.1 – Metodologia da leitura                                               32

        4.2 – Condições favoráveis à leitura                                    33

        4.3 – O professor e a formação de leitores                          35

 

CAPÍTULO V

5 – PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR CIDADÃO                                                                          

        5.1 – Estratégias para  aquisição da leitura                         37

        5.2 – Planejando o ensino da leitura                                   39

CAPÍTULO VI

6 – DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO DO PROJETO

 

7 – AVALIAÇÃO

 

CONCLUSÃO

 

REFERÊNCIAS BIBILIOGRÁFICAS                                               46                                                   

 

 

JUSTIFICATIVA

 

        A reflexão sobre o ensino da leitura na escola é muito importante nos dias de hoje. Nesta reflexão é primordial analisar os fatores que impedem a formação de sujeitos leitores para que se possa apresentar caminhos de renovação  e qualificação na prática pedagógica relativa a leitura. A leitura sempre teve e tem um papel social de grande interferência na sociedade, mas enquanto houver educadores com caráter dominador o processo educacional será sempre excludente. O trabalho da leitura, na escola, tem por objetivo levar o aluno à análise e a compreensão das ideias dos autores e buscar no texto os elementos básicos e os efeitos de sentido. É muito importante que o leitor se envolva, se emocione e adquira uma visão de vários materiais portadores de mensagens presentes na comunidade em que vive, buscando sempre a democracia.

        Um trabalho de leitura e de formação de leitores precisa abordar tipos diversificados de textos, pois o mundo está  em mudança constante e é preciso avançar de acordo com  a tecnologia. No âmbito escolar percebemos que os alunos cada vez mais se afastam e se desinteressam pela leitura e é aí que se questiona a prática pedagógica, o ensino e incentivo da leitura em sala de aula e as propostas de ação que podem levar as crianças, jovens e adultos que estudam nas escolas públicas a se tornarem “Leitores Competentes”.

        As escolas acreditam que investir na formação de leitores é uma tarefa urgente, é preciso apostar que é possível ir muito além da alfabetização e que sujeitos leitores são capazes de olhar reflexivamente a realidade a sua volta, e capazes de fazer a opção de mudá-la de alguma forma, além disso, ler com competência  é não só uma das maiores experiências da vida escolar, é uma vivência única para todo ser humano, pois ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínios, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si mesmo.

 

Objetivo Geral: Através de ações prazerosas desenvolver o interesse e gosto pela leitura, construindo  assim,  uma comunidade de leitores que envolva todos os segmentos da escola.

  

CAPÍTULO I

 

1 – O PAPEL SOCIAL DA LEITURA

 

        A leitura alarga os conhecimentos e capacita o ser humano a interagir no mundo de modo criativo e transformador. Pela leitura ou pelo hábito de ler, a pessoa adquire maior habilidade para exercer os conhecimentos culturalmente construídos, e deste modo escala com facilidade os novos graus de ensino, e em consequência atinge também sua realização pessoal.

        Ao olharmos para a nossa sociedade hoje deparamos com o quadro alarmante de milhões de analfabetos, enquanto a nova conjuntura social apresenta no seu campo cultural uma gigantesca revolução tecnológica.

        Portanto, hoje se impõe a Educação o dever de formar uma geração do conhecimento; uma geração capaz de dominá-lo e manipulá-lo.

        A revolução industrial perde pouco a pouco seu espaço e a revolução tecnológica ganha terreno, exigindo principalmente dos países subdesenvolvidos esforços no sentido de ampliar a educação básica, consolidá-la e preparar a nova geração para criar novas tecnologias. É através do investimento na educação que podemos superar os obstáculos que nos impedem de galgar novos rumos na construção de uma sociedade igualitária e democrática.

  

  • – Leitura: um processo histórico e cultural

 

        O elemento fundamental que assegura a aprendizagem como processo é a alfabetização. Sendo assim, se existe uma crise de leitura é porque a escola também está em crise.

        Com efeito, a instituição escolar é o lugar privilegiado e delegado pela sociedade para realizar a difícil tarefa de formar sujeitos leitores. Neste sentido, a escola deveria ultrapassar o modelo tradicional de somente ser transmissora do saber culturalmente acumulado para de fato exercer sua função promotora de uma educação que constrói a democracia.

                        Justamente em função de estar ligada a um sistema educacional condizente com uma sociedade desigual e classista a leitura muitas vezes é transformada em instrumento de inculcação ideológica.

        Segundo Paulo Freire:

“Do ponto de vista crítico, não é possível pensar sequer a educação sem que se pense a questão do poder; se não é possível compreender a educação como uma prática autônoma ou neutra, isto não significa, de modo algum, que a educação sistemática seja uma pura reprodutora da ideologia, dominante. As relações entre a educação enquanto subsistema e o sistema maior são relações dinâmicas, contraditórias, e não mecânicas…”. (Freire: 1.985, p. 28).

Paulo Freire ainda cita:

“As contradições que caracterizam a sociedade como está sendo penetram a intimidade das instituições pedagógicas em que a educação sistemática se está dando e alteram o seu papel ou o seu esforço reprodutor da ideologia dominante”. (Freire: 1.985, p. 28).

 

        Portanto, é necessário que o educador esteja atento quanto a sua opção política. Desconhecer o caminho é fatal, e o educador arriscaria a aderir inconscientemente a uma política que favoreça a ideologia dominante. Interpor uma postura que garanta a democracia é buscar na prática diária assumir uma opção libertadora.

        As contradições da nossa sociedade podem se tornar meios pelos quais a educação neutralize a força reprodutora da ideologia.

        Desta forma, é importante rever a história, pois poderemos constatar os efeitos de uma política que manipula o saber e que repercutem ainda hoje no ato de ler.

        No século XVIII, com a revolução industrial, e principalmente com o aperfeiçoamento da imprensa, divulgou-se e promoveu-se a prática da leitura, gerando grande euforia pela matéria escrita. Este acontecimento não é um fato isolado. A burguesia buscando divulgar os ideais iluministas, fez da leitura uma arma contra a nobreza feudal. Foi justamente, nesta época que a escola se firmou como instituição responsável pelo ensino da leitura e da escrita.

        No Brasil na década de 70, em que a faixa de escolaridade obrigatória passou de 5 para 8 anos e deu-se também maior espaço para a leitura em sala de aula, verificou-se um aumento no consumo de livros. Por esta razão a indústria de livros sentindo-se motivada, investiu em novas obras, novos escritores e reedições de livros clássicos, endereçados principalmente para o público infantil. No entanto, o que se verificou foi o desinteresse por parte do leitor e mais uma vez evidenciou-se traços de contradições, visto que o vencedor foi o capital.

        Ainda em nossa realidade hoje, se repete a mesma situação: educadores preocupados somente em fazer com que os alunos leiam sempre uma maior quantidade de livros, com o intuito de formar no estudante o hábito da leitura. Mas o que se consegue apenas é a memorização mecânica dos textos. Conforme Paulo Freire, “A quantidade de leituras sem o devido adentramento nos textos a ser compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da escrita” (FREIRE, 1.982:19).  Este modo de proceder revela o autoritarismo, quem sabe, ingênuo do educador, mas que traduz concretamente a realidade de que a educação não é neutra. Porém, a leitura traz em si um componente democrático, mesmo que a sua difusão no curso de sua história, esteja permeada de interesses econômicos e ideológicos da burguesia.

  • – Expansão livre para libertar

         É preciso que a leitura se torne acessível para a população geral e para que a leitura realmente possa se tornar popular, se faz necessário uma política educacional e cultural democrática. Em primeira instância é necessária sua difusão em todos os segmentos sociais. Evidentemente, sua realização só se dará com a existência de uma escola popular de qualidade.

        Uma escola popular é a instituição que capacita o educando a intervir e construir sua própria história, porque o ato de ler que é a função primordial da escola o possibilita e o habilita a desenvolver sua capacidade de ler o mundo. Se constatarmos que para vencermos nossa condição de país de terceiro mundo, não temos outro caminho senão investir na educação, ou na escola para todos indiscriminadamente, é necessário ultrapassar a estrutura educacional atual.

 

        Para Regina Ziberman:

                “Escola, na medida mesma em que trabalha com indivíduos diferentes, com valores, crenças, hábitos linguísticos e comportamentos diferentes, é também um campo de batalha – luta de ideias e de linguagens, como expressão da luta de classes”.(Ziberman: 1.982, p. 43).

        De fato, a formação cultural da sociedade brasileira foi sempre marcada pela marginalização: na época colonial a população brasileira devia servir somente à comercialização e exportação de matérias primas, ou ao cultivo de produtos tropicais. Desta forma, não havia necessidade da implantação de um sistema educacional. A população branca tinha dificuldade em aprender a ler e os escravos eram mantidos em completa ignorância. Portanto, nossa história desde a sua origem “cultua” o que é estrangeiro.

        Durante o período Republicano, alguns intelectuais da época se preocuparam com o analfabetismo e, portanto com a necessidade de expansão da rede escolar, mas não houve apoio oficial. Este fato concorreu com o florescimento das escolas particulares. Somente após a revolução de 30, a escola pública se expande, cedendo às pressões da parcela da população menos favorecidas e a necessidade da formação de mão-de-obra para as indústrias. Simultaneamente e com maior qualidade aumenta o número das escolas privadas, perpetuando o processo de elitização do ensino.

        Em nosso país, uma política educacional que de fato proponha vencer o analfabetismo, precisará levar em conta a realidade sócio-econômica do nosso país.

        Em hipótese alguma podemos prescindir do trabalho que o professor desenvolve dentro da sala de aula. O educador é de certa forma, a chave de mudança do nosso sistema educacional e dependendo de sua atuação, a educação pode tomar novos rumos.

        Para Regina Ziberman, considerar a opção do professor é fator determinante para que se viabilizem mudanças em nosso sistema

educacional:

“Se a opção do professor for pela classe dominada, o seu trabalho terá de aproveitar a contradição e a luta que a escola vive, como instituição contraditória, reconhecendo que, se o Estado quer usá-la para fins seus, os dominados a procuram porque percebem que saber é também poder       e que a escola, embora não tenha sido feita para eles, pode ser um instrumento a mais na sua busca de libertação”.(Ziberman: 1.982, p. 42).

        De fato, o professor ao atuar de maneira democrática em sala de aula estará contribuindo de forma valiosa para que o educando ao participar do processo, se torne também atuante, o que equivale a um bom caminho percorrido na busca da libertação.

        Olhando para a realidade percebemos que a grande maioria dos estudantes brasileiros provém de famílias carentes e, portanto seu contato com a matéria escrita é restrita, dando-se quase que exclusivamente na escola. Os pais são analfabetos e geralmente o estudante permanece por poucos anos na escola, pois precisa trabalhar para ajudar na renda familiar.

        A situação se complica mais ainda, porque na escola o material escrito é parco, as bibliotecas são pobres e deste modo o único livro a que o estudante tem acesso é o livro didático. O livro didático por sua vez, não atende ao interesse do aluno e na maioria dos casos, este desinteresse deriva da dificuldade que o estudante tem de compreendê-lo. Soma-se a estes problemas outra dificuldade: o valor atribuído à leitura por parte da camada popular. Para os pais e crianças a aprendizagem da leitura é importante porque possibilita a obtenção de melhores condições de vida. Assim, o valor atribuído é de utilidade, enquanto para os pais e crianças das camadas favorecidas a leitura é vista como favorecimento ao enriquecimento cultural, forma de lazer e de prazer, meio pelo qual se adquire mais conhecimentos.

        Colocada como base da educação, a leitura assume seu papel político democrático ou não, dependendo do grupo social a que está submetida. Desta maneira a escola, se realmente pretende participar no processo de democratização do país deve promover a formação de leitores, partindo em primeiro lugar de uma metodologia de ensino da literatura que fomente no educando o prazer da leitura, desenvolvendo ainda o senso crítico diante do que é lido, fazendo relação com o mundo real. Para Paulo Freire:

                “A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele…

                   De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida    pela leitura do                            mundo, mas por certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente”.   (Freire:1.982, p. 22).

        Portanto, alfabetizadores, professores e demais trabalhadores na área educacional, principalmente escolar, devem tomar consciência de que desempenham um papel político, em que poderão estar comprometidos ou não com a transformação social, ou reproduzindo a estrutura vigente. Na verdade, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, porque a pessoa ao entrar em uma sala de aula, já fez a leitura do mundo do qual procede. É preciso que os professores respeitem e valorizem a experiência do aluno. E consequentemente ao alfabetizá-lo, estará proporcionando ao educando as formas de escrever este mesmo mundo novamente.

        Sendo a leitura um bem cultural, através da qual o indivíduo se constrói como sujeito de sua própria história, interagindo no seu mundo, ou na sociedade em que vive, a leitura se constitui como um instrumento de produção ou reprodução. É imprescindível a necessidade do  professor analisar e compreender o aspecto contraditório que a leitura pode reter em si. A qualidade dos textos usados em sala de aula, sua relação com a realidade e a metodologia de leitura indicarão e explicitarão se a escola assume a leitura enquanto reprodutora ou a torna um instrumento de conscientização, de criação e de libertação.

        O professor poderá descobrir com facilidade se sua prática é de fato libertadora, ou seu ensino é arcaico, marcado pelo autoritarismo, reflexo de uma sociedade dividida em classes, que manipula e oprime os que estão à margem da sociedade.

        Uma pedagogia de leitura que realmente persegue e aposta na transformação do sujeito leitor, e consequentemente na mudança da sociedade, deve buscar todos os meios para que o livro, veículo principal da leitura, se torne acessível à população. É preciso também cortar o vínculo da ideologia a que o livro está submetido. Desta forma, a leitura propiciará a mudança almejada pela sociedade, porque está destituída de suas amarras que impedem a popularização do livro.

 

CAPÍTULO II

  • – A LEITURA NO CONTEXTO EDUCACIONAL

 

                Um dos momentos de nossa história educacional que despertou a preocupação pela leitura em nosso país se deu devido ao ensino da língua estrangeira. Professores constataram que muitas das dificuldades dos aprendizes eram provenientes da incapacidade de interagir o texto escrito na própria língua materna. Notadamente, na década de 70, houve uma crescente preocupação pelo ensino e aprendizagem da leitura, principalmente pela demando no mercado de trabalho, que exigia pessoal qualificado, em consequência da urbanização e industrialização do país.

        Desta forma, é para a escola que se convergem toda atenção. Não que a leitura seja competência exclusiva da escola, mas em nosso país a escola se reveste de suma importância cultural, e está ligada intrinsecamente ao ensino da leitura e da escrita. Aliás, o objetivo principal da educação é a formação do homem integral, que se realiza através do desenvolvimento de suas potencialidades para que torne um ser atuante no meio em que vive. E a escola é a instituição encarregada de realizar este trabalho educacional de modo organizado e sistematizado, justamente para oferecer a cada pessoa o ingresso e acesso aos bens culturais. A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional 9394/96, mantém em vigor o Artigo 2º da Lei 4.024 do ano de 1.961 que diz respeito ao direito à Educação, reafirmando que “a educação é direito de todos e será dada no lar e na escola”.

 

 

        Este processo, portanto desencadeado pela escola pressupõe a alfabetização, que permite ao ser humano superar o seu estágio de ignorância, para a escalada e ampliação de novos conhecimentos. Assim, a leitura no contexto educacional assume seu posicionamento democrático, popularizando o saber, porque sendo a escola pública, o direito à educação é assegurado a todos, pelo menos em forma de Lei.

  • – A importância da leitura no processo educacional

         Visualizar, o lugar que ocupa a leitura no contexto educacional significa perceber o projeto político e teórico que a fundamenta.

        Desde que utilizada para atender às exigências de uma sociedade de consumo, a educação foi cada vez mais limitada a transmissão de conhecimentos, gerando uma sociedade despida de princípios éticos, uma sociedade que valoriza o êxito imediato, construindo uma cultura superficial, descompromissada com o social.

        No contexto educacional atual, continua a ecoar a necessidade urgente de promover ações para a erradicação do analfabetismo em nosso país.

        Primeiramente constatamos que a leitura é dependente da instituição escolar, que é responsável pela sistematização e organização do saber, pela promoção e divulgação da cultura e também guardiã da tradição do povo a quem serve. No entanto nosso sistema educacional é seletivo e imbuído de ideologia.

        Desta forma, a leitura sofre  influências deste mesmo processo e até pode se tornar colaboradora em fomentar e reproduzir elementos que divergem e ao mesmo tempo se repelem, dependendo da política que a orienta.

 

        Resgatar, pois, o verdadeiro sentido de uma educação voltada para a recuperação dos direitos de cidadania de todos os indivíduos é necessário vencer a binômia desigualdade-exclusão, característica marcante de nosso sistema educacional.

        A alfabetização é então, um elemento importante componente da democracia que almejamos. Para se encaminhar nesta direção, é preciso que se saiba onde pisamos, o que queremos construir e os meios que deveremos usar.

        Pois alfabetizar alguém não é um ato em que:

                        “O alfabetizador vai enchendo com suas palavras as cabeças supostamente vazias dos alfabetizandos. Pelo                                        contrário, enquanto ato de conhecimento e ato criador, o processo da alfabetização tem, no alfabetizando, o seu                                                sujeito”. (Freire, 1.991:21)

                Deste modo, a leitura implica a participação livre do sujeito, realizando uma relação ativa e democrática entre alfabetizador e alfabetizando. É deste modo que a educação alcançará sua meta singular: ajudar a despertar em cada pessoa a consciência de sua própria dignidade, formando pessoas livres, responsáveis e solidárias.

        Paulo Freire (1.982), em sua obra A importância do ato de ler, coloca aspectos interessantes da atitude de um professor que realmente optou por uma prática libertadora:

        1º) É necessário que o próprio professor tenha coerência entre o discurso democrático e a sua prática.

        2º) O educador é uma pessoa consciente da importância de “cada aluno”, e por isso trata cada um como ser único, respeitando seu direito de dizer a palavra. Ao mesmo tempo, o educador deve colocar-se à escuta do educando.

        3º) Por fim, o educador deve assumir a ingenuidade dos educandos.

        Essas três características de um educador democrático são fundamentais no processo educativo, porque permite ao alfabetizando inserir-se num processo criador, do qual o próprio alfabetizando é o criador e sujeito ao mesmo tempo. Num processo democrático tanto educador quanto educando se enriquecem mutuamente. Então será possível a instauração de uma sociedade democrática e justa.

  • – Tecnologia e leitura

        No entanto, é constrangedor perceber que apesar de todos os esforços feitos, nosso país no Terceiro milênio apresenta o triste quadro de 32 milhões de analfabetos e que nosso sistema de ensino, centra-se na simples instrução, no acúmulo de informações e muitas vezes as inovações limitam-se apenas ao uso de novas tecnologias.

        Segundo Paulo Freire:

                               “Nada ou quase nada existe em nossa educação, que desenvolva no nosso estudante o gosto da pesquisa, da                                      constatação, da revisão dos “achados” – o que implicaria no desenvolvimento da consciência transitivo-crítica. Pelo contrário, a sua perigosa                                                 superposição à realidade intensifica no nosso estudante a sua consciência ingênua. A própria posição da nossa escola, de modo geral a acalenta mesma pela sonoridade da palavra, pela memorização dos trechos, pela desvinculação da realidade, pela tendência às formas meramente nocionais, já é uma posição caracteristicamente ingênua”. (Freire: 1.980, p. 94).

 

            Por não conseguir avançar num processo educacional libertador, muitas vezes a instituição escolar se torna o próprio motivo de seu esvaziamento e da fuga dos estudantes que preferem as experiências da vida   , a qualquer lição oral ou escrita que a escola lhe oferece.

        É preciso, portanto, tornar a escola um lugar agradável, um lugar de descobertas, de análise crítica, que permita à nova geração acompanhar a revolução tecnológica sem deixar-se manipular pelo encantamento das máquinas e sem se questionar pelos reais ou imagináveis proveitos que o mundo da máquina proporciona.

        Como o ato de ler é um ato que possibilita relacionar o texto ao contexto, aos conhecimentos, aos valores, aos sentimentos, às ideologias do poder, extrapola, portanto o âmbito da educação formal, fornecida pela escola. Vencer, pois o desafio de preparar cidadãos mais capacitados e dosados de discernimento para enfrentar a era da cibernética, que vem modificando, de alguma forma a política econômica, o conhecimento, a convivência entre as pessoas, enfim a própria vida, será o determinante do valor potencial de uma nação.

        Constatamos, no entanto que a maioria dos homens e mulheres que se destacam em nossa sociedade, pertencentes à elite, são corruptos e injustos e passaram pela escola, condenando assim o processo educativo nacional. Portanto, a necessidade de uma educação, sobretudo para a vida é imprescindível. É necessário colocar a tecnologia a serviço da aprendizagem e cuidar para que a tecnologia não dissimule as relações humanas. Porque  a educação não consiste somente em habilitar a pessoa humana a uma determinada tarefa, mas engloba a pessoa como um todo.

 

        Deste modo, a escola é responsável em conduzir este processo de abertura ao mundo tecnológico, mas ao mesmo tempo dando capacidade de questionar benefícios reais ou prejuízos que compõe a era da informática, para não se deixar manipular pela propaganda e pelo consumismo. Ao procurar desenvolver no educando a consciência crítica, a escola encontra na leitura uma grande aliada. A questão então, é formar leitores reais. Pois, o domínio da língua possibilita a participação plena na realidade presente que facilita a inter-relação escola-vida. É através da linguagem que o homem se comunica, expressa seus sentimentos desde os mais espontâneos aos mais requintados, partilha ou constrói visões do mundo, produz conhecimento.

 

CAPÍTULO III

  • – A ESCOLA E A FORMAÇÃO DE LEITORES

 

        A leitura é a mais importante tarefa da escola e podemos dizer que se a escola desenvolver no educando o hábito da leitura, já terá cumprido em grande parte a sua missão educativa. Por outro lado, quando a escola falha nessa tarefa, sofre também as consequências internas, já que a leitura é a base de todo ensino escolar.

        Frequentemente, encontramos professores desanimados diante do fracasso dos alunos não apenas na disciplina de Português, mas nas outras áreas de estudo, e percebe-se que o fracasso ocorre justamente por causa de problemas com a leitura.

        Então, de quem é a culpa, e como solucionar este problema? Primeiramente, não podemos julgar subjetivamente, sem irmos no fundo da questão. Muitos dos fatores encontrados na crise da leitura, em nossas escolas encontram ressonância no decorrer de nossa história educacional, feita de lutas e imersa em contradições.

  • – A escola e a leitura

        Partindo do pressuposto de que a escola está vinculada a um sistema educacional coerente com o poder, ao analisar a importância do ato de ler, não podemos dissociá-lo da escola. É por intermédio da escola que a leitura se concretiza.

        Desta forma, a leitura na escola, muitas vezes exerce uma função reprodutora e adestra o próprio estudante a uma leitura descontextualizada, e o aluno acaba se tornando um leitor funcional.

 

        A escola dá ênfase demasiada à escrita e principalmente à ortografia, sem dar-se conta de que a leitura proporcionará ao educando meios de vencer as dificuldades ortográficas da nossa língua, esquecendo-se de que para formar bons leitores, necessita perseguir como meta objetivos que ajudarão a formar o hábito da leitura. Primeiramente é preciso ter bem claro os objetivos para saber qual a metodologia a ser usada. Portanto, um dos objetivos para se alcançar a finalidade de formar leitores é:“ler para gostar de ler”. A metodologia seria então, garantir o espaço da leitura prazer, leitura para o divertimento, a distensão, a aventura. Outro objetivo é: “ler para conhecer a língua”. É o momento propício para apropriação da estrutura da língua portuguesa. E finalmente: “ler para conhecer o mundo”. Desvendando e descobrindo os conhecimentos culturalmente construídos, o aluno satisfaz sua curiosidade, amplia seu conhecimento sobre o mundo, aguça o espírito de descoberta e investigação.

        Devido, porém a seu papel de reprodutora, não raro a escola assume postura autoritária defronte àquele a quem ensina, principalmente quando oferece às crianças leituras de listas de palavras e frases, sem sentido, enquanto que em casa a criança faz um outro tipo de leitura muito mais interessante. E parece que a escola desconhece este fator: a leitura inicia antes da escolarização da criança. De fato muito cedo as crianças entram em contato com a escrita, através de revistas, boletins, placas, letreiros de ônibus e lojas.

        A escola deveria aproveitar esses materiais para estimular o aluno não só durante o processo de alfabetização, mas em todo o percurso de sua vida escolar. Infelizmente o que se constata na maioria das vezes é que a escola ou esquece, ou ignora tais veículos, o que prejudica sua própria ação, enquanto poderia ser um poderoso meio para transformar o leitor inicial em um leitor competente.

        Quando inicia a fase da alfabetização a escola introduz a criança através das famílias silábicas e muitas vezes insistem neste processo de modo frequente e abusivo, o que concorre para o distanciamento da criança da leitura, porque a atividade de leitura dada em sala de aula é fatigante e enfadonha. Agindo desta forma a escola pode acarretar sérios problemas na formação de leitor. Pois, soletrar um texto, é apenas estágio inicial de leitura e exige da escola a paciência em dar tempo suficiente à criança para que possa emitir corretamente o que leu, vencendo as possíveis dificuldades. Neste momento, a motivação, a criatividade para tornar o aprendizado agradável e a confiança demonstrada pelo professor diante da criança que está sendo alfabetizada, são qualidades insubstituíveis.

  • – O emprego do livro na escola

         Sendo o livro o principal veículo de comunicação da escrita, acompanha o educando em todo transcurso escolar.

        Na história educacional brasileira o emprego do livro pela escola está ligado a fatores contraditórios: enquanto usado para a difusão do saber, sua manipulação pelas classes e setores que exercem a dominação social política, compromete a imagem real da leitura. Com efeito, o livro didático a que o aluno tem acesso, desde o seu aparecimento tem favorecido mais ao mercado industrial, do que a promoção e difusão da cultura.

        Conforme Regina Zimerman:

                “Muitos dos objetivos que se pretende assegurar através do recurso ao texto, ao longo dos livros e aulas, a função de modelo e exemplo. Nos piores dos casos, o texto ilustra a recompensa a comportamentos casos menos ruins, o texto serve de exemplo de desejáveis e o castigo aos indesejáveis. No desempenho de linguagem vernácula, de estilos literários, de procedimentos estilísticos”.(Ziberman: 1.982, o. 54).

 

        Ao utilizar o livro didático, é preciso que a escola fique atenta aos textos, pois muitas vezes ao abordarem temas como: o pobre conformado e limpo, o rico caridoso, o bom filho, visam atitudes de passividade, de conformismo, de tolerância. Em uma prática escolar de libertação os textos podem ser, ao invés do que se propõe, recurso para o questionamento, a análise crítica. Para que o professor saiba lidar com textos de tal categoria é necessário que seja um bom leitor.

        Sob a exigência de ser um leitor competente, o educador terá grandes possibilidades de realizar de fato um trabalho que garanta em cada educando o aprimoramento pelo gosto da boa leitura e consequentemente a formação de sujeitos leitores.

        A dificuldade de se formar leitores através do recurso ao livro didático, não se restringe apenas aos temas contidos nos textos. Frequentemente encontram-se textos complexos e de difícil interpretação, principalmente nos livros de 1ª e 2ª fase do 2º ciclo.

 

        É neste sentido que Regina Zimerman, chama a atenção:

                “Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É a partir de um texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista”. (Ziberman: 1.982, p. 59).

        O professor não deveria perder de vista os textos propostos pelo livro didático, e ao perceber as interferências negativas para a formação de leitor que o livro didático apresenta, necessita planejar e adequar os textos às finalidades requeridas para a formação de leitores. Dando espaço à leitura em sala de aula, sem cobranças exageradas na interpretação dos textos, mas comentando e discutindo o material, será uma forma de desenvolver no aluno a capacidade de distinguir bons textos, de descobrir o que o autor quer dizer, enfim de interpretar com acuidade a mensagem descrita. Ao mesmo tempo o estudante formará uma percepção estética mais acurada e terá condições de rejeitar leitura de baixo calão, que estão infiltrando no mercado, tendo apenas como objetivo o consumo.

  • – A escola e a literatura

        É a literatura um recurso precioso, pelo qual deve a escola empreender todas as energias para que tanto o jovem quanto a criança possa ter acesso.

        A presença da literatura na escola favorece o processo democrático no interior da instituição escolar. Segundo Regina Zimerman:

                                               “Com efeito é o recurso à literatura que pode desencadear com eficiência um novo pacto entre as crianças ou jovens e o texto, assim como entre o aluno e o professor.

                                               Já que a leitura é necessariamente uma descoberta do mundo, procedida segundo a imaginação e a experiência individual, cumpre deixar tão somente que este processo viabilize na sua plenitude. Além disto, sendo toda a interpretação em princípio válida, porque oriunda da revelação do universo representado na obra, impede a fixação de uma verdade anterior e acabada, o que ratifica a expressão do aluno e desautoriza a certeza do professor. Com isto, desaparece a hierarquia rígida sobre a qual se apóia o sistema educativo, o que         repercute em uma nova aliança, mais democrática, entre o professor e o estudante”. (Ziberman:1.982, p. 21)

                Reconhecendo, portanto, que a literatura é um válido e precioso recurso para desenvolver no interior da instituição escolar a democracia, a escola necessita empenhar-se para que a literatura se torne prática efetiva em sala de aula.

        A literatura é importante ainda como meio que desenvolve nos alunos atitudes de solidariedade, de respeito, de sentimentos que valorizam os laços familiares e auxiliam os mesmos a satisfazer suas necessidades de segurança, de natureza emocional, espiritual e intelectual. Pelas histórias, os estudantes percebem como os diversos personagens nas mais variadas situações, resolveram seus problemas, com lutaram para superar perigos e ameaças. A literatura desenvolve ainda o senso crítico, o senso do humor e amplia os conhecimentos, favorecendo as relações e a vida em sociedade.

        A partir do momento em que o aluno desenvolve o gosto literário, isto é, desenvolve sua capacidade de apreciação, abre-se o caminho para que o mesmo não abandone a leitura. O professor é o grande incentivador no processo e precisa orientar o educando aumentando a proporção de complexidade dos textos, pois cada tipo

de leitura requer do leitor habilidades especiais. Portanto, o professor tendo uma boa formação literária, indique aos alunos obras literárias qualificadas, levando em conta a idade e os interesses individuais. É, pois, indispensável um conhecimento da psicologia da criança e do jovem, o que favorecerá a compreensão do mestre quanto às preferências de cada um, que varia de acordo com o sexo e a idade.

        O trabalho assim desenvolvido será eficiente na formação de bons leitores, pois estará desenvolvendo no aluno a capacidade de apreciação e de escolha.

 

        Urgem ainda, no trabalho escolar a promoção também da leitura de revistas em quadrinhos, periódicos, jornais. A escola os estará assim, ajudando os alunos a perceber que há uma variedade de leituras e que cada leitura varia de acordo com o texto. Em decorrência dessas necessidades, emerge a importância da biblioteca na escola.

  • – A importância da biblioteca na escola

 

         Uma escola sem biblioteca carece de um primordial instrumento de aprendizagem, de estímulo ao “saber”. Contudo, mesmo com a existência de uma biblioteca na escola, sem um ensino que se preocupa com a aprendizagem da leitura, não incentiva o ato de ler, se tornaria um espaço inútil no ambiente escolar.

        Muitas vezes, algumas escolas transformam as bibliotecas em museus e os livros são retidos a sete chaves, como se fossem artigos de luxo. É preciso entender que a biblioteca é um complemento indispensável na formação dos alunos como leitores e precisa ser um espaço aberto e dinâmico onde o estudante possa manusear e consultar os livros.

        Mesmo em comunidades carentes, a escola deve trabalhar no sentido de organizar campanhas de livros, a fim de possibilitar às crianças o acesso aos livros. É evidente que a necessidade deste tipo de campanha, não é o ideal, mas encarando o descaso com que a educação é tratada em nosso país, os educadores se realmente optam por uma prática libertadora, estão conscientes de que o processo se viabiliza com muitas lutas e suores.

        Ler é uma arte e consequentemente necessita ser constantemente exercitada. Levar o aluno a gostar de ler, a se interessar pelos livros implica motivação por parte do professor. Os livros não substituem vivências, mas amplia e enriquece experiências, abre horizontes a novos conhecimentos, desenvolve o gosto estético, enfim são fontes de inspiração, de informação e de beleza.

  

CAPÍTULO IV

  • – A PRÁTICA PEDAGÓGICA EM FACE DA AQUISIÇÃO DA  LEITURA

 

          Considerando a prática pedagógica atual em vista da aquisição da leitura, sentimo-nos obrigados a perguntar por que o aluno aprende a ler, mas não se torna um sujeito leitor, ou apenas permanece no estágio inicial de leitura, ou seja, se torna um leitor funcional. O que se observa é que a prática pedagógica continua muito atrelada à escrita. Portanto, há pouca margem à leitura, prescindindo de sua importância da realização pessoal do indivíduo e para o progresso social e econômico do país.

 

   Apesar de se assistir uma série de Congressos, pesquisas por parte de acadêmicos em todo país, a leitura continua a ser relegada a um plano inferior no interior da instituição escolar.

 

  • – Metodologia da leitura

         Sempre que se levantam questões sobre a aprendizagem e a aquisição da leitura, a atenção se volta principalmente para os alfabetizadores ou os professores de português. Frequentemente, os professores que lidam com o ensino da linguagem, são alvos de ataques e perseguição, por parte de professores de outras áreas, os quais julgam estes professores como os responsáveis pelas dificuldades que os alunos encontram na disciplina, quando os erros decorrem da linguagem.

        Estes professores não tomaram consciência de que os que lidam com a aprendizagem, seja em qualquer área, deveriam também ensinar o aluno a ler. Pois há uma diversidade de leitura que a escola deveria levar em conta e levar o aluno a dar-se conta dos diversos tipos de leitura, e que a cada tipo se exigirá do leitor habilidades próprias.

        Outro obstáculo que impede a leitura de se tornar prática habitual na vivência do aluno, é a excessiva preocupação por parte dos professores com o método, sem muitas vezes conhecê-lo devidamente.

        Neste sentido, Mary Kato aponta que:

                “Para uma boa parte dos alfabetizadores, “método” parece ainda estar simplesmente ligado à unidade linguística com que se trabalha: silábico versus fônico, por exemplo. Não lhes parece claro que as duas modalidades possam pressupor essencialmente em mesmo tipo de operação mental por parte do aprendiz: a análise ou a síntese. Se lhes for perguntado se o método silábico é analítico ou sintético, muitos não saberão responder”.(Mary Kato: 1.985, p. 04).

            Por conseguinte não é de se surpreender quanto ao resultado que encontramos.

        O descaso na formação dos professores vem de longe. A escola quando endossa e busca mudanças, investe apenas no âmbito estrutural e funcional da instituição, enquanto o professor precisa se adaptar às circunstâncias, satisfazendo-se com cursos de formação continuada, nem sempre de qualidade, e outros similares.

        É importante observar como os professores são ignorados quando se dão as reformas no ensino. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional confirma a natureza reprodutora do ensino brasileiro. Aliás, é praxe no Brasil a criação de leis por parte de gente que nunca as cumprem, porque não precisam delas. Entregam aos professores tudo pronto, e a missão do mestre será então repassar aos educandos um saber devendo assim assumir o papel reprodutor, tornando-se portadores de um saber institucionalizado e tradicional. Descobrir-se como elemento modificador, pode conduzir o professor a ultrapassagem das velhas metodologias.

  • – Condições favoráveis à leitura

         A era tecnológica irrompeu com mudanças bruscas e rápidas e a escola se embaraçou, principalmente em meio aos audaciosos meios de comunicação. A combinação audiovisual exerce grande atração sobre o aluno. Mas mesmo nestes tempos de televisão e computador, a leitura, não perdeu seu valor e sua necessidade. A escola e a família são instituições de peso na formação do hábito da leitura. Cabe, portanto, à instituição escolar e a familiar a indispensável tarefa de promover e estimular o educando a ler, a gostar de ler. E porque não usar a tecnologia para incentivar o gosto pela leitura.

        Se uma criança convive num lar no qual os pais valorizam a leitura e por isso lêem, a criança certamente encontrará maior facilidade na aprendizagem da leitura e se sentirá estimulada a buscar encontra na leitura o prazer de ler e consequentemente, se tornará um bom leitor. Mas a falta de conscientização, quanto à importância do hábito da leitura, faz com que nossas crianças e jovens se afastem dos livros, com perdas muitas vezes irreparáveis, que serão diagnosticadas mais tarde, quando apresentarem problemas na organização do pensamento e na escrita.

        Muitas vezes os pais tem uma boa parte de culpa, porque para ficarem livres da “turbulência” própria da fase infantil, obrigam as crianças a passarem um bom tempo diante da televisão, não percebendo que a criança estará sob o poder das más influências da imprensa brasileira. A leitura pode reverter esse quadro, educando-se na escolha do que realmente vale a pena investir tempo.

 

        É preciso saber também que uma das condições que favorecem a aquisição da leitura é o material escrito, ou seja, os livros. Primeiramente, o professor precisa ter clareza nos objetivos, saber definir o que espera de quem lê. Por esta razão e para que o trabalho seja eficiente, o educador necessita considerar que os leitores são diferenciados e por isso tem gostos variados. Desta condição deriva a necessidade do educador conhecer a nossa literatura, rica em obras, para ajudar o aluno na escolha dos livros, levando em conta a faixa etária de cada um. O professor, por ser peça chave neste processo, espera-se que seja primeiramente um leitor entusiasta.

  • – O professor e a formação de leitores

         O professor desempenha um importante papel em vista da aquisição da leitura. Certamente, o alfabetizador é o iniciador da aprendizagem da leitura no ambiente escolar. Dependendo da prática diária em sala de aula, a escola se tornará um ambiente propício para a formação de bons leitores.

        Diante da realidade da educação brasileira, em que a contradição está presente, o professor necessita reconhecer em primeiro lugar a importância que a leitura ocupa no processo educacional, e como a leitura possibilita ao indivíduo o rompimento com sua situação de inferioridade, para que se empenhe de fato em formar leitores reais. Portanto, um dos pontos básicos que o professor deveria cultivar em si próprio como educador é assumir uma postura democrática. E é preciso saber que uma postura realmente democrática implica coerência com uma opção libertadora. O caminho apontado por Paulo Freire é: escutar os estudantes, falar com eles.

 

 

                “Quem apenas fala e jamais ouve: quem “imobiliza” o conhecimento e o transfere a estudantes, não importa se de escolas primárias ou universitárias; quem ouve o eco, apenas, de suas próprias palavras, numa espécie de narcisismo oral; quem considera petulância da classe trabalhadora reivindicar seus direitos; quem pensa, por outro lado, que a classe trabalhadora é demasiado inculta e incapaz, necessitando, por isso de ser libertada de cima para baixo, não tem realmente nada que ver com libertação nem democracia”.(Freire: 1.982, p. 30).

        O professor democrata é, portanto um educador que reconhece o valor de cada pessoa, como pessoa, respeita seus pontos de vista, ainda que seja uma criança. Aliás, ninguém objeta de que ao ensinar, o professor também se enriquece, desde que a relação entre professor e aluno de fato ocorra como construção conjunta do conhecimento. O que implicará em uma outra atitude democrata: “ a solidariedade entre o ato de educar e o ato de ser educados pelos educandos”. FREIRE, Paulo (1.982: 32).

        Ao professor, cabe a orientação, a promoção e o incentivo pela leitura. Portanto em primeira instância, o educador deveria ser conhecedor dos variantes que prejudicam o processo ensino-aprendizagem da leitura, os riscos a que expõe quando na utilização de métodos, principalmente na alfabetização, que poderá afetar a formação de leitores competentes. Uma formação profissional permanente é imprescindível. Formar bons leitores requer do professor, que seja também efetivamente um leitor.

        Planejar bem um programa de leitura é responsabilidade do educador. O bom êxito do programa dependerá do material escolhido, da capacidade do professor de compreender e conhecer seus alunos. Organizando o ensino das habilidades de leitura, proporcionando experiências ricas e agradáveis, será uma contribuição valiosa na formação de leitores.

 

CAPÍTULO V

  • – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR CIDADÃO

 

   Sabedora da importância que se reveste a leitura na vida de uma pessoa, a escola deveria investir na busca de caminhos que levem os alunos a adquirirem o gosto pela leitura. Deveria a escola, no seu interior buscar motivações que desperte e fomente nos alunos o hábito da leitura. Desta forma, são dos professores e educadores que deve surgir em primeira instância a preocupação para que aqueles que passam pela escola, se tornem de fato leitores.

 

  • – Estratégias para aquisição da leitura

         Sempre que se mencionam leitura e seus problemas, vem em mente o espaço na escola, onde ocorre o seu processo, ou seja: a sala de aula e ao mesmo tempo aquele que orienta este processo: o professor.

        Como a educação é um processo político, necessário se faz esclarecer o papel fundamental que exerce o professor em sua prática pedagógica diária. O educador que realmente opta por uma prática libertadora, deve empregar o método do diálogo, da troca, da investigação, da busca, da criação.

        Para Paulo Freire na alfabetização é necessário que:

                “educadoras e educadores, vivam na prática, o reconhecimento óbvio de que nenhum de nós está só no mundo. Cada um de nós é um ser no mundo, com o mundo e com os outros. Viver ou encarnar esta constatação evidente, enquanto educador ou educadora significa reconhecer nos outros – não importa se alfabetizamos ou participantes de cursos universitários; se alunos de escolhas de primeiro grau ou se membros de uma assembléia popular – o direito de dizer a sua palavra. Direito deles de falar a que corresponde o nosso dever de escutá-los”.(Freire: 1.991, p. 30).

            Para ser construtor da democracia, é preciso antes de tudo praticá-la, iniciar o processo democrático na própria sala de aula. Aliás, nós educadores estamos tão acostumados a sermos ouvidos, que não nos damos conta de que muitas vezes reproduzimos o sistema de dominação permanente em nossa sociedade.

        Ao buscarmos estratégias para a aquisição de leitura, não devemos nos esquecer da análise dos instrumentos que utilizamos diariamente. Sabemos que o livro didático é o instrumento que prevalece na escola, o professor deveria estar atento aos textos, pois são utilizados para uma determinada atividade, fugindo do seu suposto destino, “ser lido”. O professor deveria também encaminhar sua ação na descoberta da função exercida pelo texto num sistema social e político.

 

        Pretender que a escola seja um espaço aonde o aluno irá familiarizando, amadurecendo gradualmente na compreensão e interpretação de textos mais complexos, será preciso que os textos com que o aluno lida, lhe possibilite crescer. Para esta passagem a figura do professor é indispensável, na medida em que garanta aos alunos, textos ricos em linguagem, que dão margem às discussões sobre os modos de falar antigamente e hoje, sobre a nossa história linguística e as relações entre o falar e o escrever. Desta forma será fácil induzir o aluno ao contato e à apreciação das modalidades cultas do português, favorecendo assim o desenvolvimento linguístico, o enriquecimento cultural pessoal do estudante.

        A escola deveria ainda ensinar os alunos a fazerem diversos tipos de leituras. O que quer dizer: não “lerem” somente, mas, sobretudo “entenderem” os textos específicos de cada matéria, o enunciado das provas, as questões de pesquisa.

– Planejando o ensino

 

da leitura

        Tudo o que se ensina na escola, envolve e depende da leitura. Para que o ensino da leitura traga resultados eficazes, exige-se que se conheça diversas facetas que compõem e orientam o ensino, a aprendizagem e o despertar do gosto da leitura, ou do hábito de ler. Inicialmente é necessário que de fato se conheça a importância da leitura na vida de uma pessoa, os benefícios adquiridos através de sua prática. É partindo da  consciência do valor da leitura para o indivíduo, que a escola terá condições de se colocar em linha de batalha, para que seu processo se viabilize.

        Numa sociedade como a nossa, pressupõe do mestre que realmente opta por uma pedagogia de cunho transformador, capacidade de descoberta da função exercida pelo texto no contexto educacional e social. Ao planejar, portanto, o ensino da leitura, o educador precisa ser coerente em suas atitudes, assumindo uma postura democrática, que tenha como características: o diálogo, o respeito, a humildade ao ensinar, que corresponde ao reconhecimento de que aprender a ler é um ato “criador”,e, portanto o aprendizado da leitura depende da participação do sujeito.

        Conhecer o sujeito a quem se pretende formar leitor, é fator relevante nesta construção, pois o interesse pelos livros varia de acordo com a idade. Existem cinco idades de leitura que o professor deveria considerar:

        Antes dos seis anos de idade: A criança gosta de folhear livros grandes, bem ilustrados. O interesse por cenas individuais a ajudam a estabelecer os limites do “eu” e do mundo.

        De cinco a nove anos: O interesse é pelos contos de fadas, com enredos mais elaborados. Por possuir uma mentalidade plena de magia, o leitor busca nas fábulas, nos contos de fábulas, a simbologia necessária para a elaboração de suas vivências.

        Dos nove aos doze anos: A criança inicia o desprendimento pelo mundo da fantasia e geralmente prefere histórias que lhe apresentam o mundo real. É a idade da história ambiental e da leitura factual.

        Dos doze a quatorze anos: Idade da história de aventuras. Fase marcada pelo conhecimento da própria personalidade, os interesses de leitura se voltam para os enredos sensacionalistas, histórias vividas por gangues, histórias sentimentais.

        Dos quatorze aos dezessete anos: Anos de maturidade ou desenvolvimento da esfera lítero-estética de leitura. A escolha é por aventuras de conteúdo intelectual, viagens, romances e temas relacionados com os interesses vocacionais.

 

        O conhecimento dos interesses do leitor pela idade é questão básica que deve ser prevista no planejamento da leitura na escola.

 

        No interior da instituição escolar, onde se dá o ensino-aprendizagem da leitura, exigi-se do professor que oriente o processo, uma visão larga e objetiva. Desta forma conhecer a direção a seguir  é qualidade indispensável para quem decide colocar-se a caminho.

        Conforme Paulo Freire (1.982) no processo educativo, inseparável do ato político, os educadores deveriam perguntar, questionar e obter clareza sobre seu posicionamento:

                “A favor de quem e do quê, portanto contra quem e contra o quê, fazemos a educação e de a favor de quem e do quê, portanto contra quem e contra o quê, desenvolvemos a atividade política.Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática, tanto mais percebemos a impossibilidade de separar o inseparável: a educação da política.

                        Entendemos então, facilmente, não ser possível pensar, sequer, a educação, sem que se esteja atento à questão do poder”. (Freire: 1.982, p. 27).

 

            Desta forma, o professor ao planejar o ensino da leitura, deveria ter clareza sobre os objetivos da leitura, seus aspectos e funções.

        Existe uma variedade de leituras e para cada tipo de leitura o leitor necessita mobilizar uma série de estratégias de acordo com o que pretende obter do texto a ser lido. Dentre as diversas situações de leitura, podemos divisar seis grandes grupos:

 

        Leitura de reflexão: É uma leitura caracterizada por retomada constante ao texto para apreensão do conteúdo e desenvolvimento de idéias. Está relacionada aos estudos superiores e trabalho intelectual.

        Leitura para a ação: Este tipo de leitura é endereçada diretamente para a ação. É frequente, mecânica e rápida, pois não exige uma formulação mental. É a leitura, por exemplo, de placas, de manuais técnicos, das regras de um jogo.

        Leitura de distração: O objetivo da leitura de distração é justamente o divertimento, a evasão, o entretenimento.

        Por não ter objetivos culturais ou educacionais, a leitura de distração encontra certa resistência no ambiente escolar.

        É o tipo de leitura utilizada em viagens ou sala de espera, em que o leitor vai folheando uma revista ou jornal para passar o tempo.

        Leitura de consulta: A finalidade da leitura de consulta é buscar uma informação, desconsiderando o restante do texto. Exercida principalmente na busca de informação em catálogos, enciclopédias, dicionários, guias de endereços.

        Leitura de linguagem poética: O leitor visa na leitura de linguagem poética, além do conteúdo do texto, se deleitar com a beleza da sonoridade das palavras.

        Leitura de informação: A leitura de informação tem como objetivo preencher lacunas do conhecimento sobre determinada matéria. Não há necessidade de reter a informação por muito tempo. É a leitura de coleta de dados pra fins utilitários, leitura de normas, regimentos e outros.

         Ao considerar os diversos tipos de leitura, verificamos que a escola ainda se encontra incapacitada em desenvolver no educando as estratégias adequadas para saber “ler” nas diversas situações de leitura no mundo contemporâneo. Privados da principal chave de acesso à cidadania, o ensino brasileiro relega à classe menos favorecida uma educação que de fato promova a pessoa humana, estimule o exercício da cidadania, em favor de uma sociedade justa e democrática.

  

CAPÍTULO VI

  • – DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO DO PROJETO

         Depois de termos visualizado o campo abrangente da leitura no processo educativo, e vislumbrado a importância do ato de ler, como tarefa primordial e essencial da escola, podemos enumerar as seguintes propostas pedagógicas para a formação do leitor cidadão:

        1 – Tornar a sala de aula um espaço democrático. O que significa que o professor deve propiciar um clima de liberdade, respeitando o ritmo e as diferenças individuais de cada aluno. E ainda: que o professor seja uma pessoa aberta ao diálogo, coerente, que aprecie a leitura e seja um leitor competente. É impossível ensinar a ler e não ser um leitor.

        2 – É preciso que os educadores em geral, valorizem a leitura e trabalhem no sentido de estimularem a leitura na escola, fazendo com que os alunos percebam que existe uma variedade de leituras e que em cada área de estudo, exige habilidades equivalentes ao tipo de leitura que é feita.

        3 – A formação do professor é outro elemento fundamental que concorrerá para que os alunos se tornem de fato leitores. Que o professor planeje bem as suas aulas de leitura, selecionando boas obras para apreciação da classe, variando as oportunidades de leitura.

        4 – É necessário ainda que o professor esteja atento aos textos dos livros didáticos, que podem ser utilizados com o objetivo de induzir à passividade, ao conformismo. É interessante um material variado para a leitura que provoque uma discussão coletiva, levando o aluno a refletir e interagir com o texto.

 

        5 – Que o projeto não fique restrito à sala de aula, mas que todos, equipe gestora, articuladores, técnicos e apoio administrativos estejam envolvidos.

6 – A escola como um todo, durante 1 (uma) hora por semana, parará todas as suas atividades e se dedicará à leitura prazer.

 

7 – Os alunos a partir dos textos lidos poderão dramatizar, confeccionar cartazes, produzir novos textos.

 

8 – Criar na escola um grupo de contadores de histórias.

9 – Equipar a biblioteca com livros que variam de acordo com o interesse de cada faixa etária.

 

Consciente da importância da leitura, a Escola, mesmo estando numa comunidade carente, buscará  mobilizar toda a comunidade escolar no sentido de incentivar a leitura, promovendo atividades que conscientize pais e alunos sobre a importância do ato de ler e o papel que a leitura desempenha na aprendizagem. 

 

  • – AVALIAÇÃO

 

        Para que se empreenda qualquer meta ou objetivo em vista de uma melhora em qualquer campo existencial, é fundamental reconhecer a importância e a necessidade de partir, de ir ao encontro do que se busca. Definir e rever o que se fez e ter uma visão clara do que está sendo feito, é prática inteligente e necessária para não se perder no meio do caminho, ou arriscar perder tempo e não ganhar nada.

        Assim sendo as ações desenvolvidas neste projeto serão avaliadas bimestralmente com o coletivo dos professores, para que possamos dar novos encaminhamentos e/ou propor novas ações que possam dinamizar e implementar o processo de incentivo à leitura. 

 

  • – CONCLUSÃO 

 

        Através desse projeto a Escola teve a oportunidade de demonstrar sua preocupação na formação de leitores competentes, e tem clareza que é preciso mobilizar ações que permita  à leitura, tomar o lugar que lhe é devido. Enquanto a leitura for relegada ao último plano no processo educativo, continuaremos a assistir um contingente sempre maior de crianças condenadas ao fracasso escolar, à desistência do direito inalienável da pessoa humana: o exercício da cidadania, o que significa a derrota da democracia.

        Contudo a leitura pode ser a grande aliada da educação, na busca de novas conquistas no processo de transformação, até atingir a meta de uma sociedade verdadeiramente justa, onde cada indivíduo tenha uma vida digna, uma vida plena.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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