MEU PAI

joao-e-maria

 

Nascido em Pernambuco,

Terra de homem valente.

Exemplo de mameluco

Que engrandece uma gente.

 

Mal começou a infância,

Já começou a sofrer.

E mesmo com relutância,

Sentiu ao seu pai falecer.

 

O chefe da casa se fez,

Começando a trabalhar.

E com motivo, talvez,

Não teve como estudar.

 

Abraçou a tipografia,

Fazendo o seu ganha pão.

Trabalhando com galhardia,

Amparava sempre um irmão.

 

Quando na adolescência,

Praticou bastante o esporte.

Disputava com decência,

Exuberante no porte.

 

Casou-se lá em Natal

Com uma moça caseira.

De beleza bem natural,

Revelou-se fiel companheira.

 

Mudou-se para o Rio,

Tentando a vida melhorar.

E teve que suar frio

Para poder se aguentar.

 

Do nada fez um império,

Ao lado de sua mulher.

Revelou-se exímio homem sério,

Exemplo para quem quiser.

 

Hoje de cabeça erguida

Vê a família criada.

E a harmonia conseguida,

Luta pra ser conservada.

 

Mas tenho medo do tempo

Que esquece os feitos seus,

Pois ele num triste lamento

Aproxima-te do encontro com Deus.

 

O teu passo indeciso

caminha nessa estrada,

Enquanto eu apreensivo

espero sua chegada.

 

 

 

Uma palavra final

traduz o que se vai,

De uma saudade real

segue esta poesia, meu pai!

INCÓGNITA

incognita

Incógnita, vivo na esperança de um dia,

Em meio a mil sorrisos de alegria,

Pelo tempo amargo já vivido,

Ser, quem sabe, antes do fim reconhecido.

 

 

 

Incógnita, caminho arrastando os desenganos,

Na saudade que consumo a tantos anos.

Numa estrada vazia, sem sorriso,

Busco em vão encontrar seu paraíso.

 

 

 

Incógnita, lembro o tempo bom que passou,

Você, o grande bem que restou.

Lembro ainda, como hoje, o primeiro aninho,

Em que vivia amparada em meu carinho.

 

 

 

Incógnita, escondo-me numa nova geração,

Que não sabe sequer de oração.

Vou gastando o que a solidão me empresta

E guardando o muito pouco que me resta.

 

 

 

Incógnita, conto o quanto resta pro fim,

Sem saber a resposta do que busco em mim.

Vivo assim, sem razão, de um modo hipócrita,

Pagando um preço caro por ser incógnita.

INSENSIBILIDADE

insensivel

Já não sinto o medo que sentia da infância,

Não fujo da realidade quando não é boa.

Apenas não consegui me livrar da inconstância,

Vivo trocando de amores simplesmente, à toa.

 

 

Já não me entristeço pelos desenganos,

Nem coro ou calo pelos seus beijos.

E tudo aprendi com o passar dos anos,

Até mesmo a refrear todos os desejos.

 

 

As indiferenças e injustiças já não me abatem,

Nem tão pouco as mentiras me revoltam.

É como se num instante se calassem

Ou mesmo emitissem sons que não magoam.

 

 

Antes eu pensava que lhe amava e não lhe amo,

Acreditava que sem você sofreria e não sofro.

Hoje estou sozinho como vê e não reclamo,

Disse até que morreria e não estou morto.

 

 

Antes eu gostava de ficar as estrelas mirando,

De andar num e outro bairro perambulando.

Depois minha vida virou uma chuva eterna,

E caminhar não posso, falta mobilidade na perna.

 

 

 

Antes eu sentia prazer de brincar com as crianças,

De crer no amanhã agarrado à esperança.

Há pouco esqueci todas as lembranças,

Cansei de viver acreditando na bonança.

 

 

Antes vivia ligado às coisas materiais,

Dava um valor imenso ao que havia na terra.

E encontrei a paz nos valores espirituais,

E vi neste sentido a verdade que ela encerra.

 

 

Então não sou totalmente insensível,

Pois no confronto do saldo dos dias meus

Ficou uma resposta bem visível,

A fé que não perdi do meu bom Deus!

O GOL

soccer ball
soccer ball

É difícil definir

A emoção que ele traz,

Mas quem pode traduzir

É aquele que o faz.

 

 

É um contraste que existe,

Vivendo em plena harmonia,

Se um lado fica triste

O outro vibra de alegria.

É amigo e companheiro,

Traz a fama e bom dinheiro.

Quem o faz é artilheiro,

Quem sofre é sempre “frangueiro”.

 

 

Quem faz mais tem a vitória,

Vem com ela a alegria.

A vitória conduz à glória,

A derrota à melancolia.

 

 

O gol é sempre bonito,

Seja de canela ou de placa.

É um grito do infinito

Que a sede da torcida aplaca.

 

 

Ele conduz ao título,

E persegue o campeão.

Cria por povo seu ídolo

Que faz do gol a paixão.

 

 

No pique desenfreado,

Ou no soco dado no ar.

Qualquer gesto é consagrado,

Fazendo a plateia vibrar.

 

 

De falta ou de bicicleta,

Seja legal ou irregular,

O gol é coisa concreta,

Não adianta estrilar.

 

 

Quem vive constantemente

Fazendo mudar o placar,

É bastante consciente

Que a sorte pode mudar.

 

O gol é a consagração,

Mas acaba com a humildade.

Pode ser a maldição,

Mas também a felicidade.

 

 

O gol é tudo isso

E mais que eu não falei.

E foi somente por isso

Que a ele me dediquei.

 

 

Com ele tenho amizade

E um afeto profundo.

Quem dera ser na verdade

O maior artilheiro do mundo.

FIM DA VIDA

fim-da-vida

…E eu lá estava gastando os últimos momentos,

Sentindo a cada minuto, como um sopro, a vida fugir.

Ainda ouvia de algumas bocas os lamentos,

Outras murmuravam inseguras, “vai resistir”.

 

 

 

De repente, como se perdesse a consciência,

Voltei a ver a minha bela infância.

Os sorrisos que gastei na adolescência,

Momentos breves que se perderam na distância.

 

 

 

Quando voltei a recordar todos os amores,

Reprisei detalhes que a mente determina.

Veio forte me atacar amargas dores

E ouvi a voz de um anjo, era uma menina.

 

 

 

O olhar sombrio, já no fim da agonia,

Encheu de lágrimas, mesmo assim com brilhos.

Houve o abraço em minha última alegria,

Ali estavam bem tristonhos meus filhos.

 

 

 

Uma vontade louca de viver veio então,

Ao ver que o pulso começava a fraquejar,

Orei aos céus implorando a salvação,

Mas era inútil, tinha a morte a me ensejar.

 

 

 

A dor voltou aumentando com insistência,

E eu gritei sem me conter nesse momento.

Faltou-me então o domínio e a consciência,

Pedi a Deus que acabasse o sofrimento.

 

 

 

Senti então o oxigênio se acabar,

O corpo frágil toda cama estremeceu.

Vi o imenso clarão deste mundo se apagar,

Partiu nas trevas quem na luz sempre viveu.

Eu…

 gilson-lira-ii

 

Eu que nasci num dia festivo,

Numa tarde de março de um ano qualquer.

Eu que carrego o dom prestativo

Que guardo em herança da santa mulher.

 

Eu que cresci aprendendo a viver,

Procurando fingir que sabia sorrir.

Eu que, no entanto, não pude esconder,

E a dor da vida não soube mentir.

 

Eu que vivi com milhares de amores,

Sem saber distinguir o certo ou errado.

Acabei procurando nos beijos favores

E confuso não sei o que é ser amado.

 

Eu que sorri de piadas sem nexo,

Escondi no cinismo o amor de verdade.

Eu que menti nas delícias do sexo,

Pensando que só ele era a felicidade.

 

Eu que demonstro na face os meus anos,

Fraquejo cansado em meio à estrada.

Eu que provei os maiores enganos,

Caí dos degraus que subi na escada.

 

Eu que nasci que cresci que vivi,

Eu que gritei que chorei que amei.

Eu que menti que sofri que morri,

Eu que sonhei que entreguei que calei…

DESEJO

desejo

 

Desejo-lhe como o cego deseja a luz,

Como a noite que o sonho conduz,

Em busca da manhã que demora,

Presa na saudade que chora.

 

 

Desejo-lhe como o moribundo no deserto

Deseja a água ilusória de uma fonte,

Como o sol que desejo de perto

Foge pra longe se perdendo no horizonte.

 

 

Desejo-lhe como o preso implora a liberdade

Esquecendo que a sua pena é perpétua,

Como quem procura matar a saudade,

Substituindo a realidade tão supérflua.

 

 

Desejo-lhe como a criança ao seu brinquedo

No dia posterior à noite de Natal.

Como o poeta procurando um enredo

Para escrever seu poema sem igual.

 

 

Desejo-lhe como o mudo deseja emitir

Uma palavra, uma canção de amor.

Como um surdo que deseja ouvir

O canto de um pássaro, que esplendor!

 

 

Desejo-lhe com toda minha pureza,

Eu preciso demais do seu carinho,

É você a própria flor da natureza

Que encontrei na metade do caminho.

DESILUSÃO

desilusao

 

Não te amo mais,

Me deixa em paz.

Você foi apenas uma ilusão

Que brincou em meu coração.

 

A grande realidade,

Vou dizer toda verdade.

Não passa de criança mimada

Que ainda brinca na calçada.

 

Não sabe o que é amar,

E cala quando deve falar.

Tem tanta insegurança,

Mais parece uma criança.

 

Esconde o sentimento,

Se entregando ao fingimento.

Como engana essa beleza

Que não passa de incerteza!

 

Por fora um porte denso,

Por dentro um vazio imenso!

Dá valor à aparência,

Mal sabe da sua essência.

 

Não conhece tempo mau,

Para ela é sempre igual.

Ela chora sem incentivo,

Pra sorrir já tem motivo.

 

Eu não sei como é possível,

Acho até que é insensível.

Mas que serve lhe mostrar,

Como deve se portar.

 

Se ela passa adiante

E o olhar é sempre distante.

Mas quando estava comigo,

Tinha em mim mais um amigo.

 

É triste a amizade

Pra quem ama de verdade.

Hoje sou um estranho,

A saudade não tem tamanho.

 

Mas prefiro a solidão,

Do que uma eterna ilusão.

Vou procurar meu caminho,

Em busca de outro carinho.

 

Se encontrar a saudade,

Contarei toda verdade.

Revelei-me apaixonado,

Por isso fui desprezado.

 

É uma lição que fica,

Um exemplo que justifica.

Sou um homem marcado,

Pela sorte abandonado.

 

Enquanto a idade avança,

Aumenta a minha esperança,

De que no fim da estrada,

Encontre você, minha amada!

A DESCONHECIDA

desconhecida

 

Em meio à civilização,

Um rosto na multidão.

Mas ontem estava sentada,

Fitei-a na calçada.

 

Fiquei pensativo assim,

Nem sei o que deu em mim.

Sem querer de longe virei,

Como hipnotizado te olhei.

 

Depois de esquina em esquina,

Procurei o olhar dessa menina.

Um olhar belo e sereno

Que enfeita o semblante moreno.

 

Ela sumiu andando

E eu fiquei sonhando.

Pensando se a mereço

E nem sequer a conheço.

 

Mas que importa o momento

Se chega esse sentimento.

A vida não é só ironia,

Existe também alegria.

 

Embora não saiba sorrir,

Inerte não sei resistir.

Por isso estou me indagando,

Será que estou lhe amando?

 

Por simples fatalidade,

Pensar em felicidade?

É coisa de adolescente

Que morre depressa na gente.

 

O certo é que você veio

E disso tenho receio.

Entrou em meu coração,

Deixando uma ilusão.

 

Quisera poder calar,

Jurei não mais amar.

Mas foi o destino quem quis,

Vou escutar o que diz. 

Quem sabe na desconhecida

Está minha sina escondida.

Deixarei o tempo correr,

Tentando lhe esquecer.

 

Você não sabe de fato,

Mas o destino é ingrato.

Prepara-nos uma surpresa

E deixa-nos na incerteza.

 

É o que sinto agora

E vou calar sem demora.

Espero que no momento,

Entenda meu sentimento.

 

Não quero lhe ofender,

Procure me entender,

Pois o olhar da desconhecida

Iluminou toda a minha vida.

ANÁLISE SINTÁTICA

 

 

Na oração sou o Sujeito, pois eu pratico a ação,

O Predicado é você que sobra sem ter razão.

Verbal, explicou-me alguém, quando indica ação,

Nominal, replicou mais além, pois mostra a situação.

 

O verbo é Intransitivo quando o sentido é completo,

Enquanto que o Transitivo precisa do objeto.

Se o verbo é de Ligação, dê-lhe também complemento,

Existe o Predicativo que segue o prolongamento.

 

No caso do Objeto, veja com muita atenção,

Será sempre Indireto se houver preposição.

Se estiver isolado, recebe um nome correto,

Que resolveram chamar de Objeto Direto.

 

Existe termo acessório que vem como um incentivo,

É o Adjunto Adnominal que não larga o substantivo.

Aquele que vem junto ao verbo indicando a circunstância,

É o Adjunto Adverbial que tem a mesma importância.

 

O Aposto é um mero enfeite, uma simples explicação,

Embora ninguém lhe respeite ele está na oração.

O Agente da Passiva é um sujeito consciente,

Espera o verbo mudar e se torna um agente.

 

Agora um conselho vou dar,

Baseado na Análise Sintática.

Procurem de fato estudar

Colocando a teoria na prática.