Entrevista

O entrevistado desta semana do Tribuna a Verdade é o ex-jogador de futebol, professor, diretor de escola e escritor, Gilson Lustosa de Lira, 58 anos, Potiguar de Natal (RN), está estabelecido em Rondonópolis, há cerca de 31 anos. Gilson Lira, como é mais conhecido, é casado com Martha Eliane do Nascimento Lira. O professor tem três filhos: Bárbara (31), Diego (22) e Ígor (18). Gilson nasceu em Natal, mas foi criado no Rio de Janeiro, onde aos 12 anos de idade começou a jogar futebol, nas categorias de base do Fluminense. O jogador chegou a Mato Grosso em 1973, para disputar o seu primeiro campeonato profissional estadual de futebol pelo Operário de Várzea Grande. Na época, o treinador Nivaldo Santana teria convencido a diretoria do Operário que se contratasse Gilson Lira, daria a conquista do título e isso realmente acabou acontecendo naquele ano. Gilson Lira tem formação acadêmica em Licenciatura de curta duração Estudos Sociais e Licenciatura plena em História e Filosofia, além de uma pós graduação em História pela UFMT.

Gilson Lira também foi radialista e redator esportivo do A TRIBUNA, como escritor ele tem uma obra de mais de 50 livros escritos e 2.880 poesias. O professor Gilson Lira parou de jogar futebol em 1980 e em escola pública trabalhou por 27 anos: 11 anos como diretor e 16 anos como professor. Por influência de amigos, em 1992 teve uma incursão no mundo da política, tendo sido candidato a vereador, mas não conseguiu se eleger.

 

A TRIBUNA – Professor, o senhor fez história no futebol cuiabano e mato-grossense, defendendo o Operário de Várzea Grande e o União, quando começou realmente no futebol?

Gilson Lira – A minha história no futebol começou no amador em Cachoeira de Macacu no Estado do Rio de Janeiro, cidade para onde os meus pais vieram quando eu tinha dois anos de idade saídos de Natal (RN), e lá, foi onde comecei a jogar. Na época eu fui observado por Castilho e Pinheiro, que eram ídolos do Fluminense, e me levaram aos 13 anos de idade para as divisões de base do Clube. Naquela época não havia essa questão do juniores, era o juvenil, a pessoa passava para aspirantes e depois chegava ao profissionalismo. Eu, depois do Fluminense, passei pelo Friburgo (hoje Friburguense) e depois estive no Bangu. Na decisão do Friburguense eu fiz os três gols da vitória do título para o Clube, e lá estavam assistindo a esse jogo, Mário Filho, que era do Jornal do Esporte do Rio de Janeiro, e que deu nome ao estádio do Maracanã, e seu vizinho, Euzébio Gonçalves de Andrade e Silva, presidente do Bangu (1963 a 1968). E ai na época me convidou e eu fui para o Bangu. Ali eu joguei no juvenil, aspirantes e tive a chance de entrar alguns minutos em dois jogos do campeonato de 1966, quando o Bangu foi campeão. Isso naquela época era um prêmio, porque jogar 15 minutos num timaço daquele era uma coisa maravilhosa. Depois fui para o Grêmio de Maringá (PR), Náutico (PE), onde fui campeão Pernambucano em 1969. Em 1970, fui para o ABC (RN), onde fui campeão estadual e da taça cidade de Natal. Em 1971 fui para o Galícia (BA), que era o time dos espanhóis; depois em 1972 voltei ao Rio de Janeiro.

 

No União E.C., o senhor se destacou como o maior artilheiro da historia do clube, como foi a sua vinda para Mato Grosso?

A minha vinda para o Estado foi assim: em 1973 eu recebi um convite do Itabuna da Bahia e do Operário de Várzea Grande (MT), onde o técnico era o Nivaldo Santana, que já havia me dirigido, quando jogava em Friburgo. Então ele garantiu ? diretoria do Operário que se me contratasse, ele garantiria o título, no campeonato profissional do Estado em 1973, e graças a Deus, fui o artilheiro do campeonato e o Operário foi o Campeão Estadual. No Operário eu conquistei sete títulos: foi o campeonato estadual de 73, campeão da Copa Cuiabá em 73 e 74, campeão do Centro Oeste Brasileiro em 1974 e mais os torneios Agripino Bonilha Filho, Ranulfo Paes de Barros e Semana da Pátria. Do Operário eu tive um desencontro (discussão), com Rubens do Santos, que era o diretor forte, e ele para me castigar sabendo que Mixto e Dom Bosco e outras equipes grandes me queriam, aproveitando a visita da diretoria do União E.C. lá, ele disse para mim: olha, o único clube que eu cedo para você ir é a equipe do União. Mas eu te aviso que o União foi lanterna em 1973 e 1974 e lá você não vai conseguir fazer nada. É muito mais fácil você jogar aqui no Operário no meio dos craques, onde você faz os seus gols, mas eu até gostaria de ver se você conseguiria fazer isso que você faz no Operário, jogando num time que nem o União, onde não vai ter ningu?(c)m para te ajudar. E eu lembro que na época eu respondi para ele: olha Rubens, o Operário subiu tanto que está batendo no teto, e quem está no teto não tem mais para onde subir. Mas você disse inclusive que era para mim comer poeira em Rondonópolis, é sinal que o União está no chão, não tem mais para onde descer. Que Deus permita que os meus gols ajudem essa equipe a sair da poeira. Mas você lute para manter o Operário no teto, porque os 41 gols que eu marquei para vocês até hoje, ajudaram o Operário nos vários títulos que ele teve. Você pode me emprestar para o União que eu vou. Então foi um desafio, né? E graças a Deus, Deus abençoou que eu marquei 23 gols em 1975, e essa marca ainda não foi batida, foi igualada, e esse gols deram o título ao União, porque dentro de campo nós demos a volta Olímpica, na vitória contra o Ubiratã de Dourados, na última partida, mas infelizmente, na terça-feira, o Comercial ganhou os pontos do Dom Bosco no tapetão, e o União teve o seu primeiro vice-campeonato, com o título ficando para o Comercial de Campo Grande. Mas eu acho que eu fui muito abençoado quando eu vim para Rondonópolis. Dos 45 jogos que eu disputei pelo União, perdi apenas quatro.

 

Em sua vida o senhor já fez de tudo um pouco, inclusive foi redator de uma página de Esportes aqui no A TRIBUNA, como é que foi essa experiência como repórter esportivo?

É, o saudoso Aroldo Marmo de Souza me convidou, e eu tinha encerrado a minha carreira de futebol em 1980, para a gente fazer o Tribuna Esportiva. Que seria um caderno do Jornal só para esportes de um modo geral, não apenas futebol. E eu achei interessante porque eu sempre fui amante do futebol, aceitei a parada, e nós fizemos um trabalho ai ao lado do Almir Lopes, do Orestes Miraglia, que era o fotógrafo que tirava as fotos dos jogos nos sábados e domingos, e saia na segunda-feira a cobertura de todos os esportes a nível nacional. E a gente trabalhava e entrava pela madrugada, mas era uma coisa maravilhosa. Durante um bom tempo, nós tivemos essa experiência trabalhando aqui no Jornal A TRIBUNA, nessa função.

 

O que foi que o motivou a se tornar um escritor, com uma obra de mais de 50 livros escritos, o senhor teve a inspiração a partir de quando?

Eu creio que a questão da inspiração é dom! Porque quando eu estudava no segundo ano ginasial, hoje a sexta série, lá no Rio de Janeiro, quando a professora pedia uma redação eu perguntava: posso fazer em versos, em poesia? Às vezes ela falava sim e eu escrevia. Ela dizia que era nota dez e normalmente não devolvia. E perguntou para mim, em que outra escola você estuda? E eu disse, só estudo aqui. Era uma escola da CNEC, da comunidade professor Carlos Brandão. E então é isso, eu não estudei para ser escritor, é um dom de Deus. E ai foi só continuar cada vez mais escrevendo e lendo, que isso ajuda muito. E 1979, consegui lançar o meu primeiro livro, que foi uma participação literária. E agora já estou chegando a 50 obras catalogadas.

 

Vida de escritor não ?(c) fácil, mas existem incentivos governamentais para que o escritor mato-grossense produza e publique suas obras aqui? Como é que anda o mercado editorial por estas bandas?

Olha, lançaram aí a Lei do Juca (ex vereador José Ferreira Lemos Neto), aqui na cidade. Nós sabemos que existe a Secretaria de Cultura, mas eu nunca tive a felicidade de conseguir alguma coisa, alguma ajuda diretamente desse pessoal. Eu, infelizmente, acredito que a coisa está restrita a poucas pessoas. Porque eu vejo colegas dizendo: eu entrei com um projeto lá e consegui tanto. Mas eu não tive essa felicidade. Inclusive essa obra minha que nós estamos tentando requerer o registro no “Guinnes Book”, eu vou ter que… quando eu tiver que dar uma entrevista ao Jô Soares (TV Globo), já que existe uma possibilidade de ser entrevistado por ele, ao ser perguntado, vou falar a verdade: dizer que da minha parte nunca recebi esses incentivos em minhas obras aqui. Eu sempre agradeço ao comércio local, porque felizmente existem pessoas que me dizem: se lançar uma obra e não vir aqui me pedir um apoio, eu vou ficar chateado. Se ultimamente eu não tenho ido ao comércio é porque, graças a Deus, eu consegui uma participação tão grande com a ajuda dos diretores e professores, que quando eu vou ? s escolas há uma aceitação muito grande, e essa venda garantida entre os estudantes faz com que eu tenha tranquiilidade para pagar os trabalhos da gráfica.

 

Grande parte de suas poesias são sempre um resgate histórico de fatos ocorridos no país, essa modalidade de literatura tem muitos apreciadores?, já que o brasileiro não é muito dado a leitura.

Sim! Mas o meu forte não é esse. O meu forte é a poesia romântica. Então eu tive momentos em que escrevia, e a poesia romântica era quase que uma coisa concreta, firme de ter. Mas eu queria também divulgar, por exemplo, a questão da religião. Então eu procurei lançar obras. Ai o pessoal me dizia: olha, isso ai não interessa aos jovens, falar das coisas de Deus. Então o que eu faço? Eu lanço um livro dois em um. De um lado eu chamo a pessoa com uma poesia romântica, e do outro lado eu dou o recado que eu gostaria que as pessoas também tivessem. E já lancei obras ligadas ? história, A História em versos, Lampião Rei do Cangaço, Biografias em Versos, e vai por ai a fora. Mas o meu forte, a minha comunicação com o estudante é através da poesia romântica. É do que realmente mais o jovem gosta.

 

O senhor está programando um lançamento de um site literário inédito, onde pretende disponibilizar de uma só vez toda a sua obra em formato e-book (livro digital); como é essa história de entrar para o Guinnes Book?

Essa parte do Guinnes Book, ela vai ser impressa, porque nós precisamos mostrar a obra. Então nós vamos precisar fazer o lançamento. Mas vou tentar junto ? Secretaria de Educação, que ela adquira obras para mandar uma coleção para cada escola, porque para mim vender, mesmo que eu coloque a R$ 10,00 o volume, o aluno teria que dispor de R$120,00, e isso eu sei que é completamente inviável na atual situação que nós temos nas escolas, porque eu trabalho mais nas escolas estaduais. Então fica inviável. A oportunidade de colocá-la na Internet, em parte, nem todo mundo tem computador e nem todo mundo tem internet. Mas eu alcanço a nível nacional e a nível mundial. Então essa é uma obra que não tem que ficar apenas no âmbito de Rondonópolis, ela é necessária para o estudante. E a nossa pesquisa vem sendo realizada desde 1990. Na época nós lançamos um livro calendário que tinha ai 120 poesias, e hoje a obra já ultrapassa 2.880. São 12 volumes, de “janeiro a dezembro”, por isso ela é uma obra muito grande e precisa ser levada a nível nacional. Mas para isso acontecer eu vou precisar do apoio dos veículos de comunicação, da sociedade e das secretarias de Educação e de Cultura. Mas se não conseguir, eu vou em frente assim mesmo, sozinho como eu tenho enfrentado at?(c) hoje.

 

Essa é a primeira vez que se lança uma obra com volume tão grande pela Internet e de um só autor?

Eu fiz uma pesquisa e o “Hanking” Brasil diz que uma escritora de São Paulo (SP), lançou seis obras em uma única noite, e é o recorde brasileiro. E tirando os 18 livros que eu já lancei ao longo desses anos entre 1979 e 2006, eu tenho mais 32 que serão lançados numa única noite. Então eu creio que isso por si só, já seria um motivo de requerer o próprio “Guinnes Book”, porque eu não acredito que tenha acontecido um lançamento com esse total de livros numa mesma situação aqui no Brasil.

 

No Mato Grosso, esse sistema é inédito?

Eu creio que sim. Porque eu passei um e-mail nesse final de semana a cerca de 320 emissoras de Rádio em todo o Brasil e cerca de 10 % já me responderam favorável, estabelecendo uma parceria. Eu envio a cada mês as poesias alusivas ? quele mês. Para você ter uma idéia, o mês de outubro tem 302 datas comemorativas, e essas emissoras de rádio vão receber todas essas poesias. Em troca, elas vão divulgar o meu site. Com isso eu estou tentando divulgar o meu site em todo o Brasil e já tenho até uma proposta de um companheiro, que é professor de inglês, de traduzir algumas obras minhas para o inglês e para o espanhol, já que a Internet é uma coisa mundial.

Ailton Lima
da Reportagem